FLIPPED CLASSROOM: qual o desafio?

FLIPPED CLASSROOM: qual o desafio?

A sala de aula invertida (Flipped Classroom) coloca o aprendiz no centro do processo, transformando-o em um protagonista da experiência de aprendizagem. Os alunos tem acesso ao conteúdo com antecedência, estudam os principais conceitos que podem ser embalados em pílulas de aprendizagem (vídeos, podcasts, artigos) e relacionam a teoria e os exemplos com sua realidade e necessidade de aprendizagem. Ao chegarem à aula parte-se do pressuposto que os alunos trarão perguntas e uma base de discussão para enfrentar os desafios que serão propostos. Pode ser em formato de estudo de caso, um jogo ou atividade estruturada, não importa a metodologia. Em resumo, um problema é colocado para os aprendizes juntos compartilharem formas de resolvê-lo a partir dos entendimentos preliminares, experiência e necessidade de aprendizagem. O papel do professor é fornecer informações complementares, aprofundando o tema conforme os alunos demandam dúvidas. O papel do professor é dar suporte e estimular o compartilhamento de ideias. Não se deve anular o papel clássico de um professor, de quem esperamos que esteja preparado e possua experiência e profundidade no assunto. Contudo, o papel “dono do conteúdo” desaparece dando lugar ao “facilitador de diálogos”. Competências como mediação e comunicação provocativa sobrepõem a oratória meramente expositiva. Exibição de inteligência é a principal armadilha dos colegas de profissão. O principal desafio para a efetividade do do modelo é a mudança de mindset dos principais atores: coordenadores de curso, professor e aluno. Instituições tradicionais enxergam riscos em modelos inovadores, cobrando de seus coordenadores primeiro o resultado, dando pouco peso ao processo de aprendizagem. Professores evitam correr riscos em mudar seu modelo de aula. Condicionados e acorrentados por apostilas, “ppts” e blocos longos de exposição temem mudar e serem mal avaliados. Pense comigo, se alguns professores demoram anos para atualizar o conteúdo, entenda-se apostila e apresentação, imaginem o “medo” em experimentar um novo método. Enfim, os aprendizes. Alunos acostumados desde o ensino fundamental a sentar atrás de uma carteira, abrir a apostila ou o livro na página “tal” e esperar passivamente o professor “passar” o conteúdo, cumprindo ementas e currículos escolares criam vícios. Doutrinados a estudarem sem saber porque precisam aprender “aquilo” e a decorarem fórmulas e conceitos para uma boa nota, podem resistir ao convite de mudança de postura. Além da resistência podem chegar a boicotar o processo alegando que não têm tempo para as atividades preliminares. Sabemos todos que o tempo existe, o desafio é como priorizamos o que é importante em nossa vida. Entre nós, presumo que a formação de um ser humano deve ser a primeira do ranking.

A “Sala de Aula Invertida” foi disseminada pelos professores norte-americanos [i]Jon Bergmann e Aaron Sams, testada e aprovada por universidades classificadas entre as melhores do mundo, como Duke, Stanford e Harvard. Bergmann e Sams apoiaram-se em [ii]Bloom, psicólogo estadunidense, que em 1956 escreveu a Taxonomia dos Objetivos Educacionais. A principal fonte deste texto está no artigo publicado pela [iii]Revista Intersaberes, desenvolvido por Elton Ivan Schneider, Inge Renate Froze Suhr, Vanessa E. K. Rolon, Cláudia Mara de Almeida.

Sites consultados:

http://revistaeducacao.uol.com.br/textos/205/sala-de-aula-invertidapor-que-nao-reagem-os-pedagogos-brasileiros-311344-1.asp

http://g1.globo.com/educacao/blog/andrea-ramal/post/sala-de-aula-invertida-educacao-do-futuro.html

BERGMANN. J. & SAMS, A. Flip Your Classroom: Reach Every Student in Every Class Every Day, 2012.Washington, DC: International Society for Technology in Education.

FERRAZ & BELHOT. Taxonomia de Bloom: revisão teórica e apresentação das adequações do instrumento para definição de objetivos instrucionais. Gest. Prod., São Carlos, v. 17, n. 2, p. 421-431, 2010. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/gp/v17n2/a15v17n2.pdf. Acesso em: 14 abr 2012.

SCHNEIDER E. IVAN, SUHR I. R. FROZE, ROLON , V. E. K., ALMEIDA , C. MARA DE . Revista Intersaberes| vol. 8, n.16, p.68-81| jul. – dez. 2013| ISSN 1809–7286.

Gianini Ferreira é Prof. de MBA da FIA, coach, autor, estrategista em educação corporativa, especialista em metodologias de aprendizagem, facilitador de programas de liderança e sócio-fundador da Atitude Positiva

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